Sementeiros não querem cobrar royalties pela Monsanto
Um movimento nacional de produtores de sementes começa a ganhar força. A categoria não quer cobrar os royalties das sementes que venderem, conforme deseja a Monsanto
(1), que detém a patente da soja transgênica. O movimento está sendo liderado pelo produtor passo-fundense Ivanhoé Moura.
(1)- A razão da pressão da Monsanto se deve ao fato de que na tal soja transgênica ser geneticamente estável assim, é uma questão de tempo até os agricultores passarem a guardar suas prŕoprias sementes, fugindo assim do controle.
Moura é o presidente da Associação dos Produtores de Sementes do Distrito Federal (Apras) e também é o responsável pela área jurídica da Associação Brasileira de Produtores de Sementes e Mudas (Abrasem), além de plantar no Rio Grande do Sul e na região de Brasília.
Segundo ele "é um absurdo o que a Monsanto está querendo", ao anunciar que os sementeiros é que deverão cobrar os royalties pelas sementes geneticamente modificadas que venderem. A multinacional está determinando uma taxa de R$ 0,88 por quilo de semente vendida, além de 2% sobre os grãos comercializados, como indenização se a soja não for certificada. Inclusive contratos já estão sendo enviados aos fornecedores de sementes para que se responsabilizem pela cobrança.
Ivanhoé Moura destaca que o produtor já paga na hora de plantar e essa nova proposta da Monsanto "significa dupla cobrança, ou seja, cobrar duas vezes pelo mesmo fato, o que por lei é proibido, pois os royalties serão acrescidos no preço da semente". Na última sexta-feira, Ivanhoé Moura participou da reunião da Apassul em Passo Fundo, quando expôs o que está sendo feito pela associação do DF. A proposta foi colocada em votação e aprovada pelos associados, que também irão reforçar essa iniciativa de não serem "agentes cobradores" da empresa norte-americana.
Atualmente um quilo de semente é vendido entre R$1,50 e R$ 2,00, explica Moura, e com mais esse custo pode tornar inviável o plantio de soja transgênica pelos agricultores. A previsão é que sejam plantados nessa safra brasileira três milhões de hectares, onde seriam utilizados 210 milhões de quilos de semente modificada, o que alcançaria um valor de R$ 184,8 milhões a ser pago pelos produtores de grãos à Monsanto. Diante desse quadro as entidades que representam os sementeiros estão se mobilizando, inicialmente lançando alertas pela imprensa para que não seja feita essa cobrança, pois entendem que a empresa é que deve ser a responsável por isso. Os produtores, informou Ivanhoé Moura, ainda aguardam uma reunião com a Monsanto e se for preciso vão discutir essa determinação na justiça.