Mario Teza no Jornal do Comércio:Códigos semelhantes para temas diferentes
[[Main.MarioTeza][]] - 06/05/2008
Mario Teza no Jornal do Comércio:Códigos semelhantes para temas diferentes
16/Oct/2007 - 23:47
Hoje, inicia-se na Capital gaúcha, o seminário Além das Redes de Colaboração do programa Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura. O evento é uma realização conjunta da Casa de cinema de Porto Alegre e da Associaçõa Software Livre. O projeto vai até o dia 18 e a entrada são 2 quilos de alimento não-perecível. Dentre os temas que serão discutidos está Cultura e Natureza: o que o software tem a ver com os transgênicos.
O fundador menbro do Projeto Software Livre do Rio Grande do Sul e organizador do Fórum Internacional Software Livre ( Fisl), Mário Teza, explica que temas se assemelham na quetão da propriedade intelectual. Para ele a única maneira de um alimento geneticamente modificado ser livre é deixando de existir.
“ Existe muita luta, tanto pela liberdade do código, como pela proibição dos transgênicos.As duas idéias sofrem um bombardeio diário por forças poderosas, entretanto, nossa resistência aumenta.”
Jornal do Comércio – O que o software livre tem a ver com os transgênicos?
Mario Teza – Os dois temas tem a ver com propriedade intelectual. Segundo o Greenpace, a transgenia permitiu desenvolver um conceito de que uma empresa pode patentear um ser vivo. A patente de um determinado fragmento de código genético torna a empresa dona dos direitos de propriedade intelectual de qualquer ser vivo que tenha esse fragmento dentro de si. Patentes também ameaçam o desenvolvimento de softwares livres. A liberdade dos códigos de programação correm riscos com as patentes, assim como a humanidade está perdendo o controle sobre a natureza, passando para as mãos de algumas empresas que detêm as patentes dos códigos genéticos.
Jornal do Comércio - O que está envolvido economicamente? Por que as empresas querem o controle destes códigos?
Mário Teza – Segundo dados do Centro de Políticas Internacionais para Agricultura e Alimentos da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos , no final de 2004, as quatro culturas comerciais transgênicas mias difundidas no mundo – soja, milho, algodão e canola- movimentaram US$ 44 bilhões. Quatro países respondem por 98% deste montante.Os Estados Unidos são maior produtor, com US$ 27,5 bilhões. Em segundo lugar, vem a Argentina, com US$ 8,9 bilhões, seguido da China, com US$ 3,9 bilhões. Em quarto, aparece o Canadá, com US$ 2 bilhões. A quinta posição é do Brasil, que movimentou US$ 1,6 bilhão com sementes transgênicas.
Jornal do Comércio – Quais os avanços da rede em relação a este assunto?
Mário Teza – Existe muita luta, tanto pela liberdade do código, como pela proibição dos transgênicos. As duas idéias sofrem um bombardeio diário por forças poderosas, mas, nossa resistência aumenta. O poder das redes de colaboração tem demonstrado sua eficácia.
Jornal do Comércio – Como deixar os transgênicos “ livres”?
Mário Teza – Impossível . Só eles deixando de existir.
Jornal do Comércio – O senhor é contra patentes de tecnologia, inclusive na área da saúde? Por que ?
Mário Teza – Segundo Richard Stallman, presidente da Free Software Foundation, muitas vezes erramos ao utilizar o conceito Propriedade Intelectual. Segundo ele, quando usamos, estamos colocando no mesmo saco coisas muito diferentes como leis de patentes, copyright trademarks etc.Para ele, a diferença dessas leis está no fato de que algumas podem ser inofensivas ( trademarks, por exemplo, ele achava justa), outras podem ser úteis (copyrights, por exemplo, são a base da GPL – sem copyright não é possível manter o software livre) e finalmente patentes, que são as mais abomináveis, pois restringem um conceito, às vezes de forma muito vaga. Na questão saúde, constato que a indústria e os governos têm muito mais cuidado com as populações, pois tem todo um processo rigoroso de testes antes de liberar uma nova droga.Também temos contradições, com a oposição da indútria farmacêutica para com os medicamentos genéricos. Cada vez mais países quebraram patentes de empresas que pensam só no seu lucro imediato, sem levar em consideração o aspecto social desta área.
Jornal do Comércio – Qual seria o caminho a seguir?
Mário Teza- Patentes devem ser públicas. Assim vários laboratórios no mundo têm trabalhado. Sim, grandes laboratórios. Para pôr fim à guerra entre si no setor, passaram a fazer pesquisa conjunta e a patente passou a ser pública. Esse é o caminho para todas as áreas.
Jornalista:Yordanna Colombo
Fonte: Jornal do Comércio de Porto Alegre - edição impressa