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Mercadante Azeredou

(12 Jul 2008 - 16:46)

Relato de Everton Rodrigues sobre o papel do Senador Mercadante na história da Internet brasileira

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"Quando confirmamos que o Senador Aloísio Mercadante estaria mesmo na mesa de abertura, decidimos que a faixa com a frase: "Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira" seria aberta durante sua fala. De fato, esticamos a faixa durante a sua fala. De início notei que ele nem nos olhava. Tudo bem.

Mas, na finalização da sua fala, o nosso grande Senador Mercadante defende o projeto como um grande avanço para a sociedade. Ele se utilizou de um artíficio que está já ta ficando banal. A idéia de ganhar apoio ao projeto de controle da internet com o discurso da pedofilia.

Mercadante começou dizendo: "quero falar sobre a faixa que os amigos estão nos mostrando ao lado. E apontou o dedo para nós que estávamos esticando a faixa". Ele disse que a faixa não fazia sentido, porque, veto é depois do projeto ser aprovado, e como vetar algo que nem foi a votação? Tentei explicar que o veto era na verdade da sociedade civil. Quis dizer que nós estávamos vetando esse projeto do jeito como está.

Dai ele diz: "Por favor deixa eu falar, e depois você fala, porque senão não é democracia". Depois de sua fala ele foi embora. Tinha outras tarefas para fazer. Mas, então, pensei. Democracia no Congresso Nacional é: os senadores falam e nós escutamos, e quando nós falamos eles não estão lá para ouvir.

Isso, reforça a idéia de que o Congresso Nacional está muito distante do povo brasileiro, e, por isso, muitas vezes fazem projeto sem qualquer debate com a sociedade, apenas como fruto de acordos de interesses constrõem aberrações como este projeto.

Continuando o discurso Mercadante diz: "Temos que combater os crimes digitais. Temos que prender corruptores de crianças e grupos que se organizam para cometerem crimes contra nossas criaças. Temos que prender esses sujeitos da escória da sociedade". Só faltou chorar. Faltou bem pouco. Nesse momento lembrei da estratégia que Joerge W Bush que utilizou o atentado de 11 de setembro para justificar a invasão de países que supostamente apoiam terroristas, além de retirar as liberdades civis.

Com isso finalizou e foi embora.

Tenho uma filha de 10 anos, e sei que vigiar a internet não irá resolver o problema. Combater a pedofilia envolve muitos temas, como por exemplo a educação das crianças para o acesso a conteúdos e uso da tecnologia. As nossas leis já identicam pedófilos como criminosos, e não é preciso de uma nova lei para isso. O debate de fundo é que estão usando a pedofilia, que é um tema que envolve as pessoas emocionalmente e, então, essas pessoas emocionadas com a idéia de exploração de criaças não percebem que as liberdades individuais estão em risco com esse projeto.

A fala do Senador e Ministro Hélio Costa foi de prestação de contas dos feitos do Governo Federal na área. Falou do Gesac, dos projetos de inclusão digital do governo. Do programa commputador para todos. Disse que no ano passado foi vendido 10 milhões de computadores no Brasil, e que essa é a média de consumo de televisores por ano.

Mas nada disse sobre o tal projeto de controle da internet. Nem olhou para a nossa faixa, e quando gritei pedindo sua opinião, ele me olhou como se eu fosse transparente. Nenhuma novidade.

No painel I - A inclusão digital e as ações dos organismos multilaterais, que o moderador foi HADIL DA ROCHA VIANNA, que é chefe do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do Ministério das Relações Exterior, pensei que eu poderia falar, já que se tratava de um fórum. Em fóruns tem que ter um momento de debate. Então, Hadil disse que cada palestrante teria 15min e se sobresse tempo abriria ao debate. Ele não controlou o tempo de ninguém. No meio da atividade uma moça começou a nos entregar um papeis que é o nosso meio de mandar nossas questões. Sem direito a voz. Só por escrito.

Aí lembrei. No congresso o debate é assim mesmo. Os palestrantes falam até cansar e o restante dos participantes escrevem suas questões e enviam para o coordenador da mesa, que lê se tiver tempo e se concordar se o que está escrito não vai gerar muitos problemas.

Então, agi com seguinte estratégia. Escrevi uma pergunta com duas cópias. Como se fosse uma email com cópia. E encaminhei para o coordenador da mesa e para quem eu queria saber a opinião, que era VALERIA JORDAN, coordenadora de Informação da e-LAC (Cepal).

No momento que entreguei o bilhetinho, Hadil disse: acho que não vai dar tempo. Respondi então que a idéia de fórum ficaria prejudicada.

Ele disse: pois é, estamos com pouco tempo, mas vou tentar.

Dai ele se dirigiu para a Valéria que ja sabia da pegunta. Discutiram por um tempo e então, encaminharam que iria ser lida a questão.

A pergunta foi a seguinte: VALERIA JORDAN. Na sua apresentação conseguiste desenvolver de forma brilhante a idéia de que as Tics são fundamentais para o desenvolvimento. Como a senhora bem sabe a internet e o software livre são fundamentais para a inclusão digital. Por isso, sem internet e sem software livre não existe inclusão digital. Já que a internet é estruturante da inclusão digital, gostaria de conhecer a sua opinião a respeito da idéia de analisar todos os dados que trafegam na rede com a justificativa de combater crimes digitais.

Na sua reposta ela disse que: o assunto era complexo. Muito complexo. Ela disse que antes de tudo é preciso pensar as ferramentas para desenvolver melhor esse combate a crimes na internet. Disse que os países que se propõem a vigiar a internet tem alcançado pouco o seus objetivos. Ela ainda disse que a internet não algo separado da sociedade, e sim um reflexo da sociedade que temos. E que é preciso ter muito cuidado para não fortalecer a idéia de um grande big brother."

Vejam o que escreveu:

Pedro Dória: Senado aprova projeto nocivo à Internet Agora é a vez da Câmara

Prof. Pedro Rezende da Universidade de Brasília

Sergio Amadeu - Reconhecido Sociólogo da Sociedade da Informação

Ex-Ministro José Dirceu

Opinião da Fundação Getúlio Vargas

Quem ganha e quem perde com o projeto sobre crimes na internet - Veronica Couto

Abranet - Associação Brasileira de Provedores de Internet

Alexandre Oliva - Fundação de Software Livre América Latina

Portal Software Livre .org

Internet brasileira pede socorro!

(07 Jul 2008 - 01:02)

MANIFESTO EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA

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Assine aqui pelo veto total ao projeto de cibercrimes do Senador Azeredo

A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento. O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural.

A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana. E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somos usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, "Educação e Carreira", ou seja, acesso a sites educacionais e profissionais. Devemos, assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil.

Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência. Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral.

O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P? , quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância. Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comuns dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime.

O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.

O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"? Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime.

Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI. Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.

André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.

Sérgio Amadeu da Silveira, Professor Titular Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.

Henrique Antoun, Prof. Associado da Escola de Comunicação da UFRJ, Pesquisador do CNPq.

veja mais assinaturas

Assine aqui pelo veto total ao projeto de cibercrimes do Senador Azeredo

Bogotá - Colômbia

(23 Jun 2008 - 20:14)

Começou o Campus Party da Colômbia

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Cheguei ontem a noite em Bogotá para participar do Campus Party da Colômbia.

A galera da organização fez um grande trabalho. Está tudo muito bonito e a produção está impecável. Hoje a noite teremos o ato oficial de inauguração, mas os campuseiros já estão conectatos e montando as suas barracas.

Passo a semana por aqui.

Vânia Araújo Machado: Revista Época

(02 Jun 2008 - 13:47)

Ela lutava pelos direitos das mulheres

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Foto: Vânia tinha 35 anos

Por Clarinha Glock (Original na Revista Época- 30/05/2008)

Veja matéria na íntegra: Elas morreram de parto

Vânia era feminista e defendia a humanização do parto. Seu médico foi condenado na Justiça por duplo homicídio, mas se considera um mártir

Vânia Araújo Machado costumava dizer que, para sua vida ficar completa, só faltava mesmo um filho. Aos 35 anos, depois de um tratamento de fertilização, comemorou a primeira gravidez com a mesma energia depositada em sua carreira profissional. Formada em Educação Física, dançarina e professora de dança, amante do teatro, feminista entusiasta, foi pedagoga e coordenou a implantação da educação infantil no município. Sua luta em defesa dos direitos da mulher a levou à coordenação geral da Coordenadoria Estadual da Mulher, criada em 1999 pelo governo do Rio Grande do Sul.

Foi no final daquele ano, já exercendo o cargo, que engravidou. Havia conhecido o companheiro, Marcelo D’Elia Branco, numa passeata pelas ruas de Porto Alegre, e nunca mais se desgrudaram. A opção pelo parto de cócoras parecia mais do que natural para os dois. Durante seis anos, foi paciente do obstetra e ginecologista Ricardo Herbert Jones, considerado uma autoridade em parto humanizado, e fez com ele todo o pré-natal. Vânia era uma ativista tão convicta que em seu chá de fraldas convidou o médico para falar sobre o tema para suas amigas.

No dia 12 de setembro de 2000, quando ela deu entrada no hospital, em Porto Alegre, já havia escolhido o nome do filho, Cauê. “Às 10h ela estava com dilatação completa”, acredita Branco, que ficou com a mulher todo o tempo, acompanhado por uma amiga que levou sua câmera para filmar o nascimento. Mas o bebê não nascia, e o pai começou a ficar apreensivo. O obstetra o tranqüilizou, disse que estava tudo bem. Vez ou outra, a câmera o filmou escutando o coração da criança. Relatos dos médicos que ouviram a gravação depois indicam que talvez o bebê já estivesse com bradicardia (diminuição da freqüência cardíaca).

Às 14h10min o médico decidiu fazer uma cesariana. “Não havia anestesista preparado para uma emergência, tiveram de trazer de fora do hospital”, conta o marido. Quando o profissional finalmente chegou, e a cesariana foi feita. Cauê nasceu sem batimentos cardíacos. Foi reanimado, ficou vários dias na UTI do hospital em estado vegetativo, e morreu.

Vânia resistiu 24 dias depois da cesariana. Teve de passar por nove cirurgias, até sua morte, em 5 de outubro de 2000. Entre elas, a retirada do baço e do útero. Morreu 14 dias antes do filho.

O choque pela perda da mulher e do filho levaram Branco a não questionar nada. Até que as amigas de Vânia e os familiares começaram a perguntar o que havia acontecido de errado. Foram levantando fatos e laudos. Os peritos concluíram que o trabalho do parto havia se prolongado mais do que o recomendável, causando o sangramento e as complicações. O médico, por sua vez, alega que Vânia sofreu “uma embolia aguda por líquido amniótico durante o trabalho de parto, doença impossível de prever ou prevenir”. E que, curada da doença, “ela morreu mesmo foi de catapora, infectada dentro do hospital”.

Com a assessoria jurídica especializada da ONG Themis, a família de Vânia conseguiu comprovar suas suspeitas na Justiça. Jones foi condenado na área penal por dois homicídios culposos (sem intenção) - de Vânia e Cauê. Cumpriu a pena de dois anos e quatro meses de serviço comunitário e pagou a multa de 20 salários mínimos para a Associação Beneficente Fraterno Auxílio Cristão da Sagrada Família.

O processo ético-profissional realizado junto ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) em 2003 determinou, por unanimidade, a pena de suspensão do exercício profissional por 30 dias “por não ter feito qualquer registro, em prontuário, da evolução da paciente durante mais de seis horas de acompanhamento de trabalho de parto”; por negligência, “ao não atentar e valorizar as condições fetais, ao retardar a indicação de cesariana e ao não usar dos meios disponíveis no hospital para melhor monitorizar a viabilidade fetal”. Diz ainda o acórdão do CREMERS que Jones “foi imprudente ao não providenciar anestesista mais cedo, ao menos após as grandes evidências de desproporção, e imperito ao não diagnosticar a distocia (parto difícil) subseqüente e ao realizar uma histerectomia puerperal (retirada do útero depois do parto) para controle de sangramento em condições graves, incompleta e inadequada”. O acórdão do CREMERS pode ser acessado na íntegra no blog criado pelo marido de Vânia.

Jones recorreu da decisão. O recurso foi julgado pelo Conselho Federal de Medicina, que decidiu pela pena de advertência privada: isso significa que o médico não chegou a ser suspenso, nem a decisão foi noticiada pela imprensa. Para ele, foi como uma absolvição. Passados oito anos, sequer cogita que pode ter ocorrido alguma falha em sua conduta. Ao contrário, diz que o período de trabalho de parto de Vânia foi até rápido em comparação com o de outras mulheres, que chamou o anestesista para fazer a cesariana quando detectou uma anormalidade e que ficou perto de sua paciente todo o tempo. Arrepende-se apenas de não ter feito um prontuário melhor, que o protegesse “das agressões dos colegas”.

Aos 48 anos, 23 de profissão, Jones é filiado à Rede pela Humanização do Parto e Nascimento e à International Motherbaby Childbirth Organization, e orgulha-se de viajar pelo mundo dando palestras em defesa de um modelo de parto que, segundo ele, “dignifica o nascimento, devolve o protagonismo e a autonomia à mulher e diminui a mortalidade materna”.

Considera-se um mártir. “Imagina um indivíduo que entra num hospital privado de Porto Alegre onde ocorrem 90% de cesarianas e atende partos normais - esse indivíduo incomoda por sua prática e por seu discurso: por pertencer a uma organização nacional e por ser um porta-voz destas idéias”, diz. “Todos os profissionais que ousaram se postar corajosamente contra o poder constituído sofreram coisas parecidas com o que sofri, isso não é novidade. O teu “patrício” Freud (diz para a repórter, que é judia) sofreu a mesma coisa, foi estraçalhado pelo conselho dos médicos de Viena. O Darwin, pior ainda. Galileu Galilei quase foi pra fogueira”.

A história de Vânia virou um símbolo da luta contra a mortalidade materna no Rio Grande do Sul. Seu nome foi dado a um centro de referência que atende mulheres que sofreram todo tipo de violência.

Vânia Araújo Machado costumava dizer que, para sua vida ficar completa, só faltava mesmo um filho. Aos 35 anos, depois de um tratamento de fertilização, comemorou a primeira gravidez com a mesma energia depositada em sua carreira profissional. Formada em Educação Física, dançarina e professora de dança, amante do teatro, feminista entusiasta, foi pedagoga e coordenou a implantação da educação infantil no município. Sua luta em defesa dos direitos da mulher a levou à coordenação geral da Coordenadoria Estadual da Mulher, criada em 1999 pelo governo do Rio Grande do Sul.

Foi no final daquele ano, já exercendo o cargo, que engravidou. Havia conhecido o companheiro, Marcelo D’Elia Branco, numa passeata pelas ruas de Porto Alegre, e nunca mais se desgrudaram. A opção pelo parto de cócoras parecia mais do que natural para os dois. Durante seis anos, foi paciente do obstetra e ginecologista Ricardo Herbert Jones, considerado uma autoridade em parto humanizado, e fez com ele todo o pré-natal. Vânia era uma ativista tão convicta que em seu chá de fraldas convidou o médico para falar sobre o tema para suas amigas.

No dia 12 de setembro de 2000, quando ela deu entrada no hospital, em Porto Alegre, já havia escolhido o nome do filho, Cauê. “Às 10h ela estava com dilatação completa”, acredita Branco, que ficou com a mulher todo o tempo, acompanhado por uma amiga que levou sua câmera para filmar o nascimento. Mas o bebê não nascia, e o pai começou a ficar apreensivo. O obstetra o tranqüilizou, disse que estava tudo bem. Vez ou outra, a câmera o filmou escutando o coração da criança. Relatos dos médicos que ouviram a gravação depois indicam que talvez o bebê já estivesse com bradicardia (diminuição da freqüência cardíaca).

Às 14h10min o médico decidiu fazer uma cesariana. “Não havia anestesista preparado para uma emergência, tiveram de trazer de fora do hospital”, conta o marido. Quando o profissional finalmente chegou, e a cesariana foi feita. Cauê nasceu sem batimentos cardíacos. Foi reanimado, ficou vários dias na UTI do hospital em estado vegetativo, e morreu.

Vânia resistiu 24 dias depois da cesariana. Teve de passar por nove cirurgias, até sua morte, em 5 de outubro de 2000. Entre elas, a retirada do baço e do útero. Morreu 14 dias antes do filho.

O choque pela perda da mulher e do filho levaram Branco a não questionar nada. Até que as amigas de Vânia e os familiares começaram a perguntar o que havia acontecido de errado. Foram levantando fatos e laudos. Os peritos concluíram que o trabalho do parto havia se prolongado mais do que o recomendável, causando o sangramento e as complicações. O médico, por sua vez, alega que Vânia sofreu “uma embolia aguda por líquido amniótico durante o trabalho de parto, doença impossível de prever ou prevenir”. E que, curada da doença, “ela morreu mesmo foi de catapora, infectada dentro do hospital”.

Com a assessoria jurídica especializada da ONG Themis, a família de Vânia conseguiu comprovar suas suspeitas na Justiça. Jones foi condenado na área penal por dois homicídios culposos (sem intenção) - de Vânia e Cauê. Cumpriu a pena de dois anos e quatro meses de serviço comunitário e pagou a multa de 20 salários mínimos para a Associação Beneficente Fraterno Auxílio Cristão da Sagrada Família.

O processo ético-profissional realizado junto ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) em 2003 determinou, por unanimidade, a pena de suspensão do exercício profissional por 30 dias “por não ter feito qualquer registro, em prontuário, da evolução da paciente durante mais de seis horas de acompanhamento de trabalho de parto”; por negligência, “ao não atentar e valorizar as condições fetais, ao retardar a indicação de cesariana e ao não usar dos meios disponíveis no hospital para melhor monitorizar a viabilidade fetal”. Diz ainda o acórdão do CREMERS que Jones “foi imprudente ao não providenciar anestesista mais cedo, ao menos após as grandes evidências de desproporção, e imperito ao não diagnosticar a distocia (parto difícil) subseqüente e ao realizar uma histerectomia puerperal (retirada do útero depois do parto) para controle de sangramento em condições graves, incompleta e inadequada”. O acórdão do CREMERS pode ser acessado na íntegra no blog criado pelo marido de Vânia.

Jones recorreu da decisão. O recurso foi julgado pelo Conselho Federal de Medicina, que decidiu pela pena de advertência privada: isso significa que o médico não chegou a ser suspenso, nem a decisão foi noticiada pela imprensa. Para ele, foi como uma absolvição. Passados oito anos, sequer cogita que pode ter ocorrido alguma falha em sua conduta. Ao contrário, diz que o período de trabalho de parto de Vânia foi até rápido em comparação com o de outras mulheres, que chamou o anestesista para fazer a cesariana quando detectou uma anormalidade e que ficou perto de sua paciente todo o tempo. Arrepende-se apenas de não ter feito um prontuário melhor, que o protegesse “das agressões dos colegas”.

Aos 48 anos, 23 de profissão, Jones é filiado à Rede pela Humanização do Parto e Nascimento e à International Motherbaby Childbirth Organization, e orgulha-se de viajar pelo mundo dando palestras em defesa de um modelo de parto que, segundo ele, “dignifica o nascimento, devolve o protagonismo e a autonomia à mulher e diminui a mortalidade materna”.

Considera-se um mártir. “Imagina um indivíduo que entra num hospital privado de Porto Alegre onde ocorrem 90% de cesarianas e atende partos normais - esse indivíduo incomoda por sua prática e por seu discurso: por pertencer a uma organização nacional e por ser um porta-voz destas idéias”, diz. “Todos os profissionais que ousaram se postar corajosamente contra o poder constituído sofreram coisas parecidas com o que sofri, isso não é novidade. O teu “patrício” Freud (diz para a repórter, que é judia) sofreu a mesma coisa, foi estraçalhado pelo conselho dos médicos de Viena. O Darwin, pior ainda. Galileu Galilei quase foi pra fogueira”.

A história de Vânia virou um símbolo da luta contra a mortalidade materna no Rio Grande do Sul. Seu nome foi dado a um centro de referência que atende mulheres que sofreram todo tipo de violência.

Veja mais sobre o caso:

- Informações de 2006

- Vânia e Cauê: Justiça Cível condena Médico e Hospital

Fortaleza - Ceará

(21 May 2008 - 21:19)

Congresso Infobrasil, amig@s e praias maravilhosas...

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Estive participando nos dias 15 e 16 de maio do Congresso Infobrasil na capital do Estado do Ceará, Fortaleza.

Dia 15, dei uma conferência de abertura no seminário de E-Gov, falando sobre "Sociedade em Rede: desafios para a construção de um modelo social, democrático". No dia 16, abri o seminário de Software Livre falando sobre "o SL na estratégia de desenvolvimento do setor de TIC's".

Aproveitamos o fim-de-semana para passear nas praias maravilhosas do Ceará: Cumbuco, Morro Branco e rever os ami@s cearenses e gaúch@s que vivem nesta bela cidade.

Obrigado Demétrius pela casa e Ethel pela hospitalidade...

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Fotos: falésias de Morro Branco

Batukaderas de Cabo Verde

(01 May 2008 - 03:14)

Batuku (batuque): Cultura Popular Original de Cabo Verde

(Manifestação da Cultura Popular do arquipélogo de Cabo Verde. Filmado no Quintal da Música - Cidade da Praia - Ilha de Santiago em 29/04/2008)

Veja em tamanho maior aqui.

Ontem estive no espaço Quintal da Música, aqui na cidade da Praia, e assisti uma das manifestaçoes culturais mais fortes e lindas que já ví na minha vida. Fiz alguns vídeos como o acima.

Veja sobre o Batuque de Cabo Verde na Wikipédia.

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Mama África!

(28 Apr 2008 - 12:29)

Fim de semana

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Passei um fim de semana tranqüilo conhecendo os encantos de Cabo Verde.

Este País é belo "pela sua beleza natural, mas principalmente por sua gente, pessoas extraordinárias na sua capacidade de trabalho, na sua inteligência, na sua alegria e simpatia contagiantes, e na sua dignidade sem par. Gente que não aceita qualquer coisa briga, discute, sem subserviência e faz-se respeitar. São extremamente solidários.

De todos os países que se tornaram independentes do colonialismo europeu recentemente, Cabo Verde é o que conseguiu mais, em menos tempo, para a melhoria da vida do seu povo." [1]

Fiz um passseio que atravessou a ilha de Santiago pela serra e retornamos pelo litoral. Amoçamos e tomei banho na maravilhosa praia de Tarrafal. No caminho conhecemos o terror do Campo de Concentração do Tarrafal usado pelo regime facista/colonialista português.

Hoje almoço com a Sra. Iva Cabral, filha do herói da revolução que libertou a Guiné Bissau e Cabo Verde do colonialismo portugês, Amílcar Cabral e sobrinha do primeiro Presidente da Guiné Bissau Luís Cabral (que tive o prazer de conhecer em Lisboa alguns anos atrás). O almoço será oferecido pela Sra. Embaixadora do Brasil em Cabo verde e será aqui na residência oficial onde estou hospedado.

Ás 14:30 começa o evento.

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[1] Palavras da minha mana, Universina Branco Coutinho, que é casada com um caboverdiano - Francisco Coutinho. Ela, em missão diplomática, viveu muitos anos na Africa - Guiné Bissau - e conhece muito Cabo Verde e sua gente. Eu concordo plenamente com ela.

África - Cabo Verde

(26 Apr 2008 - 12:06)

CapeVerde.svg.png

Cheguei a Cabo Verde nesta madrugada para participar do XVI Fórum AICEP, organizado pela AICEP- Associação dos Operadores de Telecomunicações dos Países e Territórios de Língua Oficial Portuguesa. Eu participo como conferencista, no dia 30, no painel: Comunicações um Mundo em Mudanças.

Vejam aqui a programação completa (descarregue .pdf).

O evento acontece na ilha de Santiago, na cidade da Praia - capital de Cabo Verde. Por coincidência, está acontecendo o festival de 150 anos da cidade. Vim no avião com o Milton Golçalves e outros artistas brasileiros que vieram para o festival.

Fui gentilmente recebido e ficarei hospedado na residência oficial da Embaixadora do Brasil, Sra. Maria Dulce Silva Barros.

Entrevista Citilab: Cornellà de Llobregat - Catalunya

(24 Apr 2008 - 19:12)

versión en castellano

A l'escenari postindustrial, el programari lliure és clau pel desenvolupament econòmic

 
"El programari lliure dona la possibilitat d' utilitzar un programa d' ordinador que beneficia a tota la societat: empreses, universitats, escoles, etc."
Image01: 

ENTREVISTA A MARCELO D' ELIA BRANCO
Consultor de tecnologies per a la Societat de la Informació
Director del Campus Party Brasil

Veja aqui a Video-entrevista

Marcelo d'Elia Branco és un dels referents brasilers en l'impuls i la difusió del programari lliure i és impulsor del projecte softwarelivre.org. Va assessorar durant el 2006 i 2007 a la Generalitat de Catalunya en temes de programari lliure. Recentment, ha dirigit la primera edició de Campus Party Brasil que es va celebrar el passat mes de febrer.

Quina és la seva visió de la situació actual del programari lliure a nivell global?

El programari lliure està essent utilitzat àmpliament per les Administracions Públiques, el programari lliure és clau pel desenvolupament d'una indústria tecnològica i és clau per a la innovació del texit productiu de qualsevol país. Crec que el programari lliure avui és clau pel desenvolupament econòmic en funció que estem vivint en un nou escenari postindustrial. L'escenari del programari privatiu és l'escenari de la revolució industrial, una etapa històrica ja passada. El programari lliure viu en un moment molt important i un moment que no pot deixar escapar cap país.

Quina és la situació del moviment del coneixement lliure o cultura lliure?
La idea de bloquejar la innovació, la idea de bloquejar el coneixement no són idees compatibles amb Internet, són idees antigues de l'era industrial. Per tant, el coneixement lliure i la cultura lliure és una idea contemporània, és una idea actualitzada. El moviment de la cultura lliure, el moviment de la llibertat, del coneixement lliure és un moviment que està molt associat a la idea del programari lliure.

Què li pot aportar al ciutadà (usuari final) utilitzar programari lliure?
De forma directa és la llibertat, la llibertat de poder utilitzar un ordinador sense ser vigilat, la llibertat de poder modificar el programa. Això és pel que fa a la llibertat. El segon benefici és la possibilitat d'utilitzar un programa d'ordinador que beneficia tota la societat: la cadena productiva, les empreses que poden beneficiar-se, las seves universitats i escoles. Els beneficis directes i indirectes són molt importants per aquest ciutadà.

Quin paper tenen les comunitats en el desenvolupament del programari lliure?
A la societat en xarxa, l'esperit de col·laboració és la principal diferència de la propietat industrial. Les comunitats són claus pel desenvolupament del programari lliure, pel desenvolupament de la cultura lliure. Un espai com aquest com el Citilab és un espai privilegiat perquè té una estructura que les comunitats de la regió, de tota Catalunya, poden tenir com a referència per desenvolupar els seus projectes. Crec que el Citilab és una referència no només per Catalunya sinó internacional, és un lloc interessant perquè les comunitats d'Internet se sentin com a casa seva.

Quin és el paper que han de tenir les administracions en l'àmbit del programari lliure?
L'administració pública té la tasca de traçar les polítiques públiques de desenvolupament econòmic de l'àrea de les TIC. L'opció de l'administració pública d'impulsar el programari privatiu seria una mala opció pel país d'aquella administració. L'opció d'impulsar el tema del programari lliure com a prioritat d'una administració seria d'ajudar al país a sortir i impulsar el teixit productiu. Aquest seria un dels aspectes claus del paper de l'administració: el de potenciar el desenvolupament econòmic del sector de les TIC.

Barcelona , me sinto em casa

(28 Mar 2008 - 17:59)

Isso foi em 28 de Março de 2008

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Cheguei em Barcelona seis meses depois e me senti como se nunca tivesse saído. Uma agradável sensação de passear pelas ruas, refrescar a memória com os caminhos, ruas, parques, bares e linhas dos metros.

Bairro de Gràcia - o nosso Sol de Nit e a Praça do Sol, descer a Verdi, ...caminhar e tomar chimarrão no Parque Güell, caminhar pelo Passeig de Gràcia, Gran Gracia, Gótico e pela Barceloneta...

Rever os vários amigos catalanes e trocar muitas energias e saber que temos ami@s e muitos irmão neste país que sempre me recebeu muito bem.

Mais uma vez eu repito: muito obrigado Catalunya! Me sinto em casa...aqui também é minha casa.

Porto Alegre, de volta pra casa

(21 Apr 2008 - 14:17)

FISL e a volta pra uma vida portoalegrense...

Voltei para Porto Alegre para participar da nona edição do Fórum Internacional de Software Livre e para recomeçar uma vida portoalegrense. Como um dos fundadores deste evento, é sempre gratificante ver que esta obra continua crescendo e se consolidando em importância no cenário internacional. Foi o maior evento de todos os tempos. Parabéns aos organizador@s.

Para quem desejar obter mais informções sobre o evento, podem acompanhar a cobertura no portal oficial do PSL Brasil e recomendo também o blog da Vanessa Nunes.

Minha volta para Porto Alegre também significa uma mudança de minha base. Volto a morar em Porto Alegre pois meu trabalho a partir de maio não exige residência em algum local fisico específico. Escolhi viver em Porto Alegre, trabalharei para uma empresa espanhola na maior parte do tempo para São Paulo, Bogotá, Valência...e para o resto do mundo...he he.

Gostei muito de ter voltado e já vivi intensamente algumas noites na cidade baixa. Puxa vida, o samba-rock tomou conta mesmo! Será que não temos mais nada para dançar na cidade?

Dia 27 viajo para uma nova missão em Cabo Verde na Africa.

A Coruña e Santiago de Compostela

(12 Apr 2008 - 19:48)

Com amig@s e Tom Zé

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Dia 11 participei, em A Coruña - Galicia - do Master de Software Libre da Caixanova, do qual faço parte do Comitê Assessor. Dei um papo para os alunos sobre o “Software libre y standares abiertos en la administración pública”.

A noite participei de uma conferência pública na Universidade da Coruña, dento das "VIII Xornadas de Software Libre", organizadas pelo GPUL (Grupo de Programadores e Usuários de Linux) e falei sobre a "Sociedad en Red: desafíos para construcción de un modelo social democrático" . Gostei muito das duas atividades.

No mesma noite fomos, eu e a Renata, para Santiago de Composteta nos encontrar com os noss@s amig@s galeg@s...na verdade, dormir pois estávamos bastante gripados. Ficamos numa pensão bem legal e barata.

Passeios e encontros com os amig@s pra sempre Nano e Ana Bouzas. Que saudades.

No domingo fomos ao espetáculo do Tom Zé. O Baiano-paulistano matou a pau, voltando ao palco várias vezes.

Santiago e Galícia continuam mágicos e nada mau para uma "até mais ver" destas terras do velho mundo.

Começo minha volta para casa de Porto Alegre e para participar da nona edição do Fórum Internacional de Software Livre.

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Informe de Paris

(07 Apr 2008 - 20:41)

Informação para todos: o papel da informação no espaço global

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Cheguei a Paris, no aeroporto de Orly, na tarde do dia 2. Estava chovendo e fui direto para o meu hotel. A noite fui jantar com os organizadores da atividade e com os palestrantes.

No dia 3 sai cedo em direção a UNESCO (7, place de Fontenoy), juntamente com a Sra. Geeta Malhotra que seria minha companheira de mesa. Como eu não falo inglês bem e ela não fala castelhano nem português, até que conseguimos nos entender bem...pelo menos para pegar o táxi e chegar até ao local.

O auditório II, aos poucos, foi tomando forma com as representações oficiais de vários países. O representante oficial do governo brasileiro foi o Sr. Emir José Suaiden, Diretor do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação) ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Por grata surpresa minha, vi que um velho amigo, Cláudio Menezes (ex-UNESCO) compunha a delegação brasileira. Depois de minha mesa de trabalho, almoçamos todos juntos...

Vamos ao trabalho

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A abertura da seção foi feita pelo Sr. Laurence Zwimpfer, chefe do conselho do IFAP e Presidente dos trabalhos. Em seguida o Sr. Embaixador da Letônia Janis Karklins e do ICANN deu um relato sobre as evoluções e perspectivas da convergência do mercado e das TIC e do trabalho do ICANN, tudo na sua visão pessoal.

Após o Sr. Peter Lor, Secretário Geral da Federação Internacional das Associações de Bibliotecas descreveu a sua visão sobre o tema.

Muito interessante foi a apresentação da Sra. Geeta Malhotra, Diretora de Projetos e Alianças Estratégicas, da Fundação de Empoderamento Digital. Ela uma indiana de Deli, expôs uma visão feminista e de um país em desenvolvimento e de seu trabalho prático naquele país.

Síntese do que falei

(de 6 à 8 minutos)

Eu falei sobre "era da informação" pós-Internet e de suas novas formas de relacionamentos que desencadearam na "sociedade em rede". Que devemos pensar estratégias e programas distintos dos da "era industrial" pré-Internet. Que nestes 14 anos, ou de forma mais intensa nos últimos 10 anos, a humanidade está experimentando novas formas de relacionamentos provocados pelo novo patamar tecnológico desta revolução e que devemos construir novas organizações e novas formas que potencializem os novos atributos oriundos desta nova era.

Os criadores da Internet foram, em primeiro lugar os acadêmicos e em seguida os próprios usuários, que a partir de suas necessidades concretas criaram as ferramentas e as disponibilizaram livremente na rede para serem aperfeiçoadas. Esta dinâmica de liberação, com domínio público ou licenças livres, provocou um grande crescimento e inovação da Internet e o surgimento da "era da informação". Este fenômeno social de inovação e de criação dos últimos 15 anos está muito mais "na rede", do que nos laboratórios ou nos centros de pesquisa das grandes corporações.

Modelos de criação que deram certo

Os modelos que deram certo na distribuição, na disseminação do conhecimento ou mais êxitos neste período foram: os mais colaborativos, os mais distribuídos, os mais descentralizados, os mais abertos, os mais livres, os sem patentes, os sem DRM's.

O usuário ou o cidadão como o sujeito da inovação e da criação!

O resultado foi uma criação sem limites e uma inovação permanente.

A Internet e a "cultura da rede" sempre tiveram o P2P como um princípio, um direito básico e original e que esta facilidade deveria ser potecializada pelos organismos internacionais, pelos governos com objetivo de universalizar a cultura e o conhecimento e não de colocar as descargas P2P? feitas na Internet como uma vilã ou criminalizá-la.

Porém ainda existem interesses contrariados da indústria intermediária do século XX (fonográfica, cinematográfica, software, editoras...) que ainda vêem a Internet como uma ameaça e não como uma oportunidade e tentam controlar ou bloquear a inovação e a criatividade para manter os benefícios e o controle que tinham na era industrial. O mesmo poder ou controle que não se justificam mais neste período, pois não existe mais o processo industrial (matéria prima+produção fabril+distribuição física). A Internet pode eliminar o intermediário entre o criador+produtor e o público final e reestabelecer uma relação mais direta entre ambos.

As leis e tratados de Copyright, e com as ideologias da propriedade intelectual criadas na era industrial também não se justificam na "era da informação" e a UNESCO deveria encabeçar uma luta por novos paradigmas de proteção de direitos autorais centrados na máxima liberdade de criação, numa maior remuneração dos criadores e que universalizassem a cultura, o conhecimento e o acesso a maioria da população colocando as ferramentas da Internet como aliadas. Não podemos pensar na lógica e termos com a única preocupação, tentar manter a indústria intermediária da cultura da era industrial. Uma bom caminho para a proteção dos direitos, com liberdade, são as licenças livres e as licenças Creative Commons.

Sobre o papel dos Governos

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Deveriam criar novo um marco legal que tenha como base os direitos humanos diante das novas tecnologias. Um marco que proteja a privacidade dos cidadãos e que tenha a ética, o multilinguismo, os standares abertos, como um direito básico. Por outro lado, uma política industrial, ou melhor, uma política de desenvolvimento adequada a nova sociedade da era da informação e não mais nos velhos paradigmas industriais. Criando ecossistemas de produção, clusters de inovação, sistemas locais de produção de empresas funcionando em rede. Chamei isso de E-desenvolvimento. Os governos deveriam avançar também em outras áreas como as de E-Inclusão (medidas compensatórias), E-democracia, E- Governação (serviços públicos), E-redes sociais...

O Brasil

Na segunda intervenção, falei sobre o Brasil e a Internet: (mais uns 6 minutos)

Falei que somos um país de 50 milhoes de Internautas, se contarmos os que acessam dos serviços públicos e dos centros coletivos, como telecentros. Do exito do programa Pontos de Cultura do MINC. Somos dos povos do mundo, os que mais tempo passam conectados por mês: uma média de 22,5 horas. Superior a média européia e dos EUA. Estamos em primeiro lugar ou em liderança em quase todas as redes sociais da Internet: Orkut, MSN, etc. Somos um país de blogueiros e da WEB 2.0: 13,5 dos internautas tem seu próprio blog, quase a metade dos internautas brasileiros lêem blogs, temos uma presença importante na comunidade de software livre e nos movemos muito bem na rede. Aprendemos muito fácil a utilizar as novas tecnologias e somos generosos e colaborativos por natureza e isso está nos dando vantagens na sociedade em rede. Contei a experiência exitosa do Campus Party Brasil o que demonstrou grande interesse de tod@s.

Porém ainda temos problemas de infra-estrutura, de preços altos, e...

terminou meu tempo....

A tarde sai da UNESCO caminhando em direçao a torre Eiffel, depois caminhei margeando o rio Sena até o Louvre num dia de sol e frio.

No outro dia voltei a Barcelona.

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Mais sobre o evento da UNESCO

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Paris: UNESCO promove debate

(28 Mar 2008 - 19:03)

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Fui convidado, pelo Sr. Abdul Waheed Khan - Diretor Geral Assistente de Comunicação e Informação da UNESCO, para participar de um debate no dia 3 de abril. O debate se enquadra dentro do Programa Informação para Todos (IFAP), sobre a temática "IFAP papel da informação no espaço global" e acontece na sede da UNESCO em Paris, França. O debate está aberto a todos os interessados, incluindo governos, organizações intergovernamentais, sociedade civil e do setor privado. O debate está no contexto da quinta sessão do Conselho Intergovernamental do Programa Informação para Todos

A discussão neste painel centrar-se-á sobre as novas tendências para criar conteúdos através de colaboração on-line e ferramentas, e as questões em torno de acesso a esse conteúdo em destaque o papel que as bibliotecas ainda jogam hoje, apesar do surgimento de ferramentas on-line como a Wikipedia de acesso à informação e ao conhecimento.

O objetivo final do debate está a moldar o papel dos governos na criação de igualdade de acesso à informação neste pós-Cúpula Mundial da Sociedade da Informação num ambiente plurilateral.

Abaixo a agenda e mais alguns detalhes do debate:

ONU – ORGANIZAÇÃO EDUCATIONAL, CIENTÍFICA E EDUCACIONAL

Conselho Inter-governamental para o Programa de Informação para Todos (IFAP)

Debate Temático sobre “O Papel da IFAP no Espaço de Informação Global”

UNESCO House, Paris, Room II (Fontenoy Building) 3 Abril2008, 9.30 – 12.30 a.m.

Provisional Agenda

Desde o estabelecimento do Programa de Informação para Todos (IFAP) em 2001, o mundo tem testemunhado uma explosão de tecnologias digitais, incluindo computadores, a Internet e telefones celular, e o uso dessas tecnologias para o compartilhamento de informação e comunicação. Como conseqüência do rápido crescimento das tecnologias digitais, existe uma explosão correspondente na informação digital. Até 2010, está projetado que o numero de informação digital criado, capturado e reproduzido será seis vezes maior.

Estes desenvolvimento tem grandes consequências nas estratégias para atingir o objetivo de “Informação para Todos”, incluindo, por exemplo, aumentar a instrução de informação, assegurar a preservação da informação para o futuro, aderessar questões relacionadas a ética da informação, demostrar os benefícios da informação para o desenvolvimento e assegurar acesso a informação através de conteúdo aberto e multilinguístico.

Tartar destas questões desafiantes requer uma boa estratégia e compromisso dos governos e o apoio de todos envolvidos, incluindo a sociedade civil, o setor privado e orgranizações intergovernamentais, conforme acordado no Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (WSIS)

Neste contexto, o objetivo do debate temático é discutir o papel dos governos na criação de acesso equitativo a informação no ambiente multistakeholder pós WSIS, além das estratégias para a construção de políticas nacionais de informação. Os painelistas da sociedade civil do setor privado irão apresentar suas perspectivas sobre o futuro da tecnologia, novas habilidades e capacitações exigidas, e as tendencies em criação de conteúdo.

Este debate visa responder questões como: Quais modelos deram certo na criação de acesso equitatível a informação? Qual é o papel do Governo? Qual é a forma para os governos darem prioridade a “informação” da mesma forma que muitos dão prioridade a “educação”?

9:30 Abertura Discurso de abertura Mr Abdul Waheed Khan, Assistente Diretor –Geral para Comunicação e Informação

Introdução ao debate Mr Laurence Zwimpfer, Immediate Past Chair of IFAP Council

9.45 Apresentação Principal Espaço de informação global e tendencies tecnológicas no Pos-WSIS Mr Janis Karklins, Ambassador of Latvia, Former President of WSIS Preparatory Committee for the Tunis Phase

10.00 Mesa de debate Multistakeholder responses in the post-WSIS era com foco especial da capacidade humana e conteúdo

Paneilistas:

Ms Thaima Samman, Director, Corporate Affairs, Microsoft Europe, Middle-East and Africa

Mr Marcelo D'Elia Branco, Projeto Software Livre Brasil

Ms Geeta Malhotra, Director-Projects and Strategic Alliance, Digital Empowerment Foundation

Mr Peter Lor, Secretary-General, International Federation of Library Associations and Institutions

11:15 – 11:30 Coffee break

11:30 Continuação da Discussão

12:15 Fechamento

Summary of the debate Mr Laurence Zwimpfer

Tradução: Karina Rehavia

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Sitges

(22 Mar 2008 - 19:17)

Cheguei

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Porto - Portugal - rumo a Catalunya

(21 Mar 2008 - 11:42)

Já é outra viagem...

Estou na cidade do Porto em trânsito para Barcelona, indo matar as saudades da minha gata Renata (estou no aeroporto agora). Começo minha viagem por Sitges, depois Barcelona.

Irei a Paris, a convite da UNESCO, no dia 03 de Abril, depois Santiago de Compostela dia 11, volto a Porto Alegre para o Fórum Internacional de Software Livre (17 à 19 de abril) e depois provavelmente irei a Cabo Verde de 27 à 30 (tudo a trabalho).

Conto com mais detalhes adiante pois estão chamando meu vôo.

até mais

Algumas imagens do Campus Party Brasil

(09 Mar 2008 - 10:32)

Liberas que terás também

Pedro Doria: Três mil pessoas ligadas à internet põem o dobro de informação na rede do que tiram dela (leiam aqui, publicado no Estadão)

Revista Época: A Internet em pessoa

Rodrigo Martins - Estadão - Campus Party exibe perfil da web no País

Público.ES "El canon debería avergonzar a los españoles"

Mais um olhar (7:10min)

Jornal da Globo (4:10)

Jornal Nacional (1:58)

Primeira passeata liderada por um robot!!! (e por humanos geniais)

Entrevista a Portal VP (3:30)

Muito mais imagens no YouTube

Cliping Campus Party no YouTube

Fotos Campus Party Brasil (508), por Fernando Cavalcanti

Mais fotos Campus Party (5.302), por vários fotógrafos

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Dia Internacional da Mulher

(08 Mar 2008 - 02:26)

8 de Março de 2008

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Por minha cabeça não passava

Só! Somente Só!

Assim vou lhe chamar

Assim você vai ser

...

Eu ía lhe chamar!

Enquanto corria a barca

Eu ía lhe chamar!

...

Abre a porta e a janela

E vem ver o sol nascer...

Eu sou um pássaro

Que vivo avoando

Vivo avoando

Sem nunca mais parar

Ai Ai! Ai Ai! Saudade

Não venha me matar

...

Lhe chamar!

Preta, Preta, Pretinha!

Preta, Preta, Pretinha!

Preta, Preta, pretinha!

Preta, Preta, Pretinha!

Blog Mosaicos Da Vida de Renata Gusmao, minha companheira a quem homenageio no dia de hoje com todo meu amor e saudades.

Primeiro dia da Campus Party

(14 Feb 2008 - 09:54)

A Internet deve ser para todos e livre (en portuñol)

Abertura com Gilberto Gil, Reactable, Robot Quasi e Escola Nenê de Vila Matilde

Escola de Samba Nenê de Vila Matilde...a energia brasileira

Primeiro a festa do Campus Party...depois eu conto o resto

(14 Feb 2008 - 00:53)

Festinha em família software livre

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Hoje deu pra relaxar pela primeira vez, desde que começou o Campus Party. Por isso, eu nao vou começar pelo início e pesquisar na memória da Internet e da minha mente cansada. Começo pela festa que está para começar depois das 23:00 hrs aqui na arena dos Campuseros.

O objetivo dos desorganizadores da festa (que será diária), é que tod@s estejam fantasiad@s até o final do evento.

Depois conto mais sobre o evento....se tiver tempo.